Patrulha Maria da Penha fiscaliza cumprimento de medidas protetivas e resguarda vítimas de violência doméstica em Boa Vista
Até maio deste ano, foram atendidas 927 mulheres e efetuadas 25 prisões de agressores que descumpriram ordens judiciais.

Maus tratos, xingamentos e abusos. Esta é a rotina de mulheres vítimas de violência doméstica em Boa Vista. Mudar uma realidade tão cruel é o objetivo da Patrulha Maria da Penha, que até maio deste ano, atendeu 927 mulheres com medidas protetivas na capital. Em 2022, mais de 1.500 mulheres foram acompanhadas, de acordo com a Guarda Civil Municipal (GCM).
A Lei Maria da Penha tipifica a violência contra a mulher em cinco tipos: violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Uma das formas de afastar a vítima do agressor são as medidas protetivas. É importante destacar que no Brasil existem políticas para o enfrentamento da violência contra a mulher, e essas políticas trazem a garantia do atendimento integral e humanizado às vítimas.

Durante um mês, os guardas fazem visitas regulares e caso o agressor descumpra a medida protetiva, a vítima informa à GCM que aciona a justiça. “Este ano, foram efetuadas 25 prisões por descumprimento da lei. Por isso, cada mulher recebe um número exclusivo, para enviar áudios, vídeos, mensagens e ligações pedindo socorro. A equipe vai imediatamente ao local e pode informar ao Tribunal de Justiça quem precisa continuar com o acompanhamento por mais tempo”, explicou Jessyka Pereira.
Não era amor, era violência: A.F.B, de 23 anos, teve um relacionamento de um ano e dois meses. Neste período, ela sofreu violência psicológica e física. Em março, registrou um boletim de ocorrência contra o ex-namorado. Hoje, ela é uma das 50 mulheres acompanhadas diariamente pela Patrulha Maria da Penha, da Prefeitura de Boa Vista. A estudante, que passou por um relacionamento abusivo, viveu o ciclo da violência.
“Quando ele chegou na agressão física pela primeira vez, eu me senti culpada e tive dificuldade para me reconhecer como vítima. Depois, por meio da rede de apoio à mulher conheci meus direitos e comecei a acessá-los, para sair da situação de violência. O acompanhamento da Guarda Municipal faz toda a diferença nesse processo. Agora, eu quero incentivar outras mulheres a fazerem o mesmo e mostrar que é possível escrever uma nova história”, destacou a estudante.
O depoimento só confirma o que deveria ser óbvio: violência não é amor. Conhecer o ciclo da violência e como as mulheres vivenciam essas fases nas relações afetivas é fundamental para fazer abordagens adequadas no cotidiano de trabalho.

Esse ciclo se repete, diminuindo o tempo entre as agressões e se torna sempre mais violento. Logo, a mulher precisa de ajuda. Como aconteceu com a A.F.B. “Eu acreditava que ele ia mudar, porque a gente tem fé que a pessoa que a gente ama vai mudar, mas não muda. Eles pioram cada vez mais. Não é fácil romper um relacionamento com laços afetivos fortes, mas é possível”, disse.
Como ajudar alguém que é vítima de violência doméstica?
A orientação para mulheres vítimas de violência doméstica é sempre procurar ajuda. Deve registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil e ligar para a GCM no 4009-9355. Após a análise do caso, é determinada a medida protetiva por meio da justiça e a vítima passará a ser assistida pela Patrulha Maria da Penha.
Ráyra Fernandes