Núcleo da ALERR busca conscientizar e reeducar agressores de mulheres
‘Reflexivo Reconstruir’ atende homens encaminhados pela Justiça para cumprimento de penas alternativas ou que procuram ajuda de maneira espontânea.

Nesta terça-feira, 6, é celebrado o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A data foi instituída pela Lei Federal nº 11.489/2007 (Lei do Laço Branco), e em Roraima pela Lei nº 1.679/2022. O objetivo é conscientizar, envolver e mobilizar os homens para colaborarem no combate a esse tipo de crime. A Assembleia Legislativa (ALERR) tem um importante papel nessa luta. Além de apoiar as vítimas, a Casa trabalha a reeducação de agressores que devam cumprir penas alternativas ou daqueles que buscam atendimento de maneira espontânea no “Núcleo Reflexivo Reconstruir”.
Para o deputado Jeferson Alves (União Brasil), autor do projeto que se tornou lei estadual, a medida reconhece a existência do machismo e auxilia na divulgação da legislação que coíbe a violência doméstica e familiar.

Além de propor leis voltadas à proteção das mulheres e adotar campanhas de conscientização, a Assembleia Legislativa atua para reduzir os índices de violência por meio do Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame).
Com mais de uma década de atuação, o Chame já prestou atendimento gratuito nas áreas de psicologia, jurídica e assistência social a mais de 12 mil mulheres. “Nossa função é acolher, orientar e encaminhar. A assistida chega e relata o caso dela. A gente vai averiguar a situação, onde ela se encaixa e qual tipo de atendimento precisa para que possamos encaminhar para o órgão adequado”, explicou a advogada do centro, Luma de Aguiar.
Violência em Roraima

No mesmo período, houve crescimento de 57,5% com relação ao homicídio de mulheres. Já nos casos de tentativas de homicídio, o aumento foi de 43%, com 87 casos notificados.
“Assim como as mulheres, os homens também precisam de amparo, porque tanto no antecedente como no consequente ele precisa de apoio. Temos também um grupo multidisciplinar masculino composto de psicólogo, jurídico e assistente social. Nos casos dos encaminhados, acompanhamos e enviamos um relatório para a Justiça”, esclareceu a advogada.
Reelaboração comportamental
Criados numa sociedade patriarcal, os homens são ensinados a represar emoções, o que reforça estereótipos de gênero. A figura masculina é associada à força – física e mental –, enquanto as mulheres, à fraqueza e, por isso, estão autorizadas a expor sentimentos sem julgamentos.
Uma das consequências dessa falácia social é a obrigação inconsciente de se provar a masculinidade a todo custo, o que pode levar muitos homens a fugir do controle, partindo para a violência. De acordo com Jadiel Ribeiro, psicólogo do núcleo, o projeto ajuda justamente na reelaboração comportamental dos agressores.
“Trabalhamos a remodelação visando à mudança do comportamento agressivo. Sabemos que o homem não nasceu um agressor, ele vem na construção da personalidade”, afirmou.

Ajudar os homens a enxergarem outras formas de agir – na hora da raiva, da chateação, da discussão – é para Luma de Aguiar uma das saídas mais eficazes para reduzir as estatísticas de feminicídio, quando o gênero da vítima é determinante para o crime. “Pois se a cabeça dele estiver organizada, a ação contra uma mulher vai ser minimizada”, concluiu a advogada.
Vítimas e agressores podem receber atendimento presencial do Chame e do Núcleo Reflexivo Reconstruir em Boa Vista de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, na sede da Procuradoria Especial da Mulher, na Avenida Santos Dumont, nº 1470, no bairro Aparecida. Há também um espaço de atendimento no município de Rorainópolis, localizado na Rua Senador Hélio Campos, sem número.
Já o acolhimento remoto é realizado pelo Zap Chame (95) 98402-0502, que funciona 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.
Escolha da data

Numa carta, ele justificou o massacre por desaprovar mulheres no curso de Engenharia, área tradicionalmente ocupada pelo público masculino. Durante as investigações, descobriu-se que o assassino teve a vida marcada por um pai declaradamente machista, que apesar de separado de sua mãe, exerceu grande influência sobre a tomada de decisão do filho.
O crime mobilizou a opinião pública e deu origem à “Campanha do Laço Branco”, símbolo da luta dos homens pelo fim da violência de gênero e do lema de jamais cometer um ato violento contra as mulheres nem fechar os olhos diante dessa violência.
Suellen Gurgel