Garimpo Sustentável: Autoridades e mineradores buscam meios para desburocratizar exploração em Roraima
Propostas debatidas durante audiência pública serão encaminhadas a órgãos competentes e Poder Executivo.

Representantes de órgãos governamentais do Pará, de Roraima, mineradores e empresários participaram, por mais de três horas, da audiência pública que discutiu propostas para o setor de mineração de pequeno porte. O encontro híbrido (on-line e presencial) ocorreu nesta quinta-feira, 17, no Plenário Noêmia Bastos Amazonas, e foi conduzido pelo deputado Renan (Republicanos).
O foco principal é trabalhar para a desburocratização da extração legal de minérios em “áreas brancas”, regiões não indígenas. Conforme o parlamentar, autor do requerimento para realização da audiência pública, em Itaituba, no Pará, há projetos de garimpo legal sustentável. Ele participou de visitas e de audiência pública no estado para tentar trazer modelos para Roraima.
“Ao terminar, faremos um documento e esta Casa vai se comprometer a tentar regularizar para promover o desenvolvimento sustentável com a exploração de minério”, explicou Renan.
O prefeito de Itaituba, Valmir Aguiar (MDB/PA), defendeu a exploração mineral como gerador de empregos e desenvolvimento na região. “Em Itaituba, também temos vários problemas e estamos tentando organizar. Muitas pessoas criticam que a licença é ilegal, mas não é”, frisou. Ele ressaltou que lá o garimpo legal não deixa rastros de destruição.
Acompanhado do prefeito, o vereador Wescley Aguiar (PSC/PA) sugeriu a todos os garimpeiros que se regularizem para trazer a Roraima resultados positivos. “Nós temos 50% dos garimpos legalizados do Brasil”, falou.
O vereador mostrou que de 2011 a 2021, o CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) do Pará, uma espécie de taxa paga aos Poderes Executivos pelo uso de recursos minerais, chegou a mais de R$ 136,5 milhões.
“O Brasil não é superpotência porque as ONGs [organizações não governamentais) seguram isso, não sei com qual intenção. O internacional tem medo do Brasil se tornar a maior potência”, enfatizou. Ele apresentou aos convidados alguns resultados da parceria entre o público, o privado e o garimpo, com a construção de uma escola em mais de R$ 1 milhão.

Para explorar, é preciso pesquisar. A Agência Nacional de Mineração (ANM) participou da audiência pública e mostrou as diversas normas legislativas vigentes, como trechos do Código de Mineração, Regime de Licenças Extrativistas, Permissões para Lavra Garimpeira, entre outras. “Falta pesquisa, investimento para conhecer o solo de Roraima. (…) Falou-se em mercúrio, mas existem outros meios mais sustentáveis para o azougue”, ressaltou Pedro Dória, gerente da ANM.
Carlos Filho, assessor da ANM, explicou que a agência tem trabalhado para incluir as áreas livres para exploração e divulgá-las em edital. “Nossa proposta é apresentar as áreas em disponibilidade para publicar a área de lavra garimpeira para resolvermos esses problemas”, explicou.
Como representante do Governo de Roraima, o diretor da Codesaima (Companhia de Desenvolvimento de Roraima), Rodrigo Ávila, ressaltou a necessidade de se falar mais sobre os meios para legalização no Estado. “Há necessidade de promover mais campanhas de incentivo. A Codesaima está à disposição para tirar todas as dúvidas”.
O ex-presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), Coronel Homero Cerqueira, participou de maneira virtual da audiência. Ele ressaltou a importância de discutir o tema na escola. “Educação ambiental da mineração, mostrar que o garimpo é legal e sustentável”, e ainda sugeriu à prefeitura de Itaituba. “Tem que ter uma consultoria, um aplicativo de disque-denúncia de garimpo ilegal”.

“Nosso trabalho não está reconhecido em razão do impedimento da legalização das cooperativas. Quero que isto possa criar velocidade para legalizá-las”, defendeu.
Participaram ainda da audiência pública representantes da Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), de prefeituras do interior, o deputado federal Nicoletti (PSL/RR), empresários e extrativistas. O evento foi transmitido ao vivo pela TV Assembleia (57.3), redes sociais do Poder Legislativo (@assembleiarr) e Canal do Boi (https://sba1.com/).
Yasmin Guedes