Ciclo da violência: Chame realiza palestra no município do Cantá
Colaboradores do CREAS assistiram ainda uma dramatização sobre o ciclo de violência doméstica.

A Procuradoria Especial da Mulher por meio do Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame) realizou na manhã desta sexta-feira, 1º, no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) do município do Cantá, a 38 km de Boa Vista, uma palestra para os colaboradores que lidam no dia a dia com atendimentos às mulheres vítimas de violência doméstica naquela região. O convite feito pela instituição reforça a luta contra violência de gênero.

A psicóloga do Chame, Marcilene Mello, disse que a ida da equipe ao Cantá é uma união de forças no combate à violência contra a mulher. “Esse evento, que ainda faz parte do Agosto Lilás, é uma alusão à Lei Maria da Penha, e é de extrema importância a presença do Chame expandindo as suas palestras, levando informações para todas as mulheres e a sociedade em geral”, disse.
O trabalho do Chame iniciou com uma dramatização sobre o ciclo da violência doméstica. A apresentação foi dividida em três cenas: primeiro, um casal apaixonado; em seguida começam as brigas verbais, trocas de ofensas, que evoluem para a violência física, culminando na separação; no terceiro ato, a tentativa de reconciliação por parte do marido, fase denominada como chantagem emocional, onde as mulheres acreditam neste recomeçar e retomam o relacionamento. No caso da dramatização, a mulher não acreditou nas promessas e deu um basta, pondo um fim no casamento.
Durante a palestra, a equipe multidisciplinar do Chame explicou como funcionam os atendimentos, que começam com o acolhimento da vítima, a escuta feita por todos os profissionais, que orientam e encaminham para a rede de proteção.

A secretária de Assistência Social do município do Cantá, Maria da Guia Sousa Mendes, disse que convidou o Chame por ser uma instituição de referência no Estado. “Vamos levar conhecimento às mulheres, mostrando o zelo, esse cuidado que tanto o Creas quanto o Chame possui. Buscamos essa parceria com pela seriedade, o trabalho que é feito no Estado”, explicou Maria, ao ressaltar que muitas mulheres ainda têm medo de denunciar, e que em média, o Creas tem acompanhado 18 atendimentos de mulheres que comentaram sobre possíveis violências.

No decorrer do evento, as próprias colaboradoras relataram já terem sido vítimas dos parceiros. Esse é o caso da assistente social Priscila Ferreira. Então, Priscila, que acredita que o depoimento dela ajudará outras mulheres.
“Relato o que eu vivi para ajudar outras mulheres a não se anular, como eu fui anulada por 22 anos. Essa palestra é importantíssima porque tem muitas mulheres que ficam perdidas dentro de casa, pensando que não existe uma proteção e quando a gente chega no Chame ou na Casa da Mulher Brasileira, sente-se importante, acolhida, protegida, amada”, disse.
Recém-libertada das garras do parceiro agressor, Priscila conta que ela renasceu para a vida. “Há um ano e meio me libertei. Mudou minha convivência com a família, e a forma como eu me via. Passei a me amar, a me valorizar, a me ver como mulher, como mãe, pois estava perdida naquele mundo lá atrás. Eu me anulei. Hoje eu sou importante, me amo mais, vivo maravilhosamente bem e consigo enxergar a felicidade que eu não via antes”, contou.

O advogado do Centro Reflexivo Reconstruir, que atende homens agressores, Josimar Batista, disse que essas palestras são importantes para os homens porque eles costumam achar que quem causa toda a violência é a mulher.
“Eles acham que só revidam a violência. Eles precisam entender que a ação cometida foi dele contra a mulher. Por isso temos que dialogar com esse homem para que internalize que tem que sair desse ciclo da violência porque ele é violento. Não tem essa desculpa de que é a mulher que deixa ele violento. A ação dele, por si só, é a violência”, explicou, ao ressaltar que atualmente o Reconstruir atende 37 homens.

Acolhimento e orientação
A Procuradoria Especial da Mulher funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, nos seguintes endereços: Avenida Santos Dumont, 1470, bairro Aparecida, em Boa Vista, e na Rua Senador Hélio Campos, sem número, BR-174, no município de Rorainópolis. O atendimento também é feito pelo ZapChame (95 – 98402-0502), durante 24 horas, inclusive aos domingos e feriados.
Marilena Freitas