O ‘pão bom’ de Pacaraima: casal monta padaria com iguarias venezuelanas e reconstrói vida em Roraima
O casal Dora e Rene manteve a tradição da culinária venezuelana e também se esforçou para agradar o paladar local da clientela.

No clarear do dia, a pequena porta que separa a área de atendimento e o interior da padaria é aberta. Recheada de doces e salgados, a vitrine completa o cenário para receber os clientes durante toda a manhã. O movimento é constante, com a chegada de moradores que deixam o local com sacolas repletas de produtos. No comércio, localizado em uma das esquinas de Pacaraima, município fronteiriço com a Venezuela em Roraima, os escritos na parede reforçam o lema que percorre a cidade: “pão bom”.
Dora e Rene se dividem entre o balcão para receber os clientes e a cozinha para o preparo de mais uma fornada de pão. A rotina se repete nos últimos cinco anos desde que o casal deixou de carro a Venezuela com filhos, levando os principais pertences, animais da família e maquinário do antigo negócio em uma carretinha, já pensando em seguir no ramo de panificação no novo país.

Com o tempo também foi surgindo o sentimento de comunidade e vieram as novas amizades. No bochicho dos conhecidos e primeiros clientes, a notícia da venda do pão venezuelano foi se espalhando e ganhando reconhecimento como um dos melhores da cidade. Com o sucesso, foi possível a conquista do espaço atual para estruturar corretamente a panificadora que levou o nome de “Virgen Maria del Vale”.

Com êxito nas vendas, a inclusão de novos produtos se tornava mais frequente na padaria. As receitas da mãe de Rene também foram aproveitadas e o pão de coco tradicional do país de origem e famoso na família foi incorporado na lista de iguarias, virando motivo de busca acirrada entre os clientes da Virgen del Vale. Para não ficar sem, é preciso chegar cedo!

“Foi todo um processo para nos conhecerem e conhecermos os costumes dos brasileiros. Não foi fácil, mas superamos”, conta Dora. “A massa do pão é preparada na noite anterior e desde às 4h já começamos a assar para às 6h30 abrirmos a padaria e entregarmos o pão quentinho. Nesse horário, já temos clientes esperando”, completa.

“Deus nos conduz, estamos bem aqui. Migrar não foi fácil, mas hoje falaria para a Dora de cinco anos atrás que foi uma boa decisão. Se algum dia voltássemos para a Venezuela, sempre falaria bem do Brasil porque as pessoas são muito amáveis, sempre tiveram respeito pela gente”, conta a empreendedora.
Para o futuro, um dos principais desejos de Dora e Rene é que a saúde se mantenha plena para seguir levando a padaria e a diversidade da culinária venezuelana que encontrou o gosto brasileiro, dizendo sempre as palavras em português que mais gostam de falar: “que Deus abençoe”
Fonte: OIM Brasil